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4, 29/07/2010.

Demissão de diretora causa revolta em unidade de saúde do bairro Cidade Nova

Servidores e usuários foram pegos de surpresa e fizeram uma mnifestação na porta unidade

Uma manhã diferente nesta quinta-feira, 29, na Unidade de Saúde José Quintiliano da Fonseca Sobral, localizada no bairro Cidade Nova. Usuários revoltados, servidores chorando, médicos indignados e dois representantes da Secretaria Municipal de Saúde, tentando o tempo inteiro conscientizar as pessoas de que a exoneração da diretora do posto, a psicopedagoga Jorgeane Araújo, “é um processo natural”.

A forma como a gestora foi demitida foi considerada abrupta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e demais servidores que decidiram cruzar os braços por todo o dia em repúdio [contando com o apoio dos usuários e do Conselho de Saúde do bairro Cidade Nova] a exoneração.

 

Assistente Social Telma: "Puxaram o nosso tapete"

A assistente social Telma de Jesus Nascimento trabalha no serviço municipal de saúde há 27 anos, sendo quatro no posto José Quintiliano da Fonseca. “Jorgeane estava a apenas quatro meses aqui na unidade, mas conseguiu uma transformação inacreditável. Aqui as pessoas trabalhavam sem qualquer estímulo e ela nos devolveu, mostrando a importância do serviço público. Assim que chegou, fez um café da manhã para aproximar os servidores e a comunidade. E o melhor, sempre trabalhou para o povo. Ela criou motivação e a união dos servidores, independente de partido político, além do mais ela é do partido que apóia o prefeito”, ressalta.

Telma de Jesus disse ainda ter consciência do compromisso do secretário municipal de Saúde, Antônio Samarone. “Nós não



Representantes da Secretaria Municipal de Saúde tentam acalmar os ânimos

estamos contra a gestão de Samarone, que é um médico voltado para a saúde pública, mas a maneira de agir aqui na comunidade foi muito radical. Nós não somos inconseqüentes de chegar alguém passando mal e não atendermos, mas não temos a menor condição de trabalhar hoje com esse susto tão grande que foi a saída da nossa diretora. É um cargo político é, mas puxaram o nosso tapete”, lamenta a assistente social.

Situação difícil

Quem esteve na unidade de saúde na manhã desta quarta-feira, 29, pôde presenciar um clima de tensão muito grande tanto entre os usuários que gritavam e clamavam pelo retorno da diretora, quanto entre os servidores e toda a equipe de saúde.

Cristiane: "Normal é a gente ser bem atendido"

“Esse posto estava abandonado e d. Jorgeane chegou para arrumar e nos dar assistência. Você já viu uma diretora sair da sala e visitar a comunidade em casa. Já viu uma diretora chegar antes das 6h da manhã para ela mesma adiantar a marcação dos exames. Já viu uma diretora chegar aqui na recepção e conversar com cada um de nós? Ela fazia tudo isso e muito mais”, relata a usuária Cristiane Andrade Santa Rosa.

Com quatro filhos para consultar e grávida, ela lamentou que a mudança tenha sido feita justamente em período de campanha eleitoral. “O secretário podia evitar estar misturando política e levar em consideração o trabalho das pessoas. Ele nem veio aqui falar com a gente, mandou duas pessoas que ficam dizendo que o cargo é político e que é normal a mudança. Pra gente, normal é ser bem

Gilson Florêncio não se conforma

atendido, é ser respeitado”, entende.

Inconformados

A coordenadora da 6ª Região de Saúde, Anáide Prado e o coordenador de Atenção Básica, Geiso Valença tiveram trabalho para conscientizar as pessoas de que a mudança foi normal. Eles realizaram duas reuniões: uma com os servidores, médicos, enfermeiros, agentes de saúde e os representantes do Conselho de Saúde do bairro, Gilson Florêncio Santos e Magnaldo Santos e a segunda com os usuários. “Peço a vocês que em prol dos usuários, voltem ao trabalho e que não tratem mal a pessoa que vier assumir a unidade. Em respeito a Jorgeane, façam valer o projeto que ela começou”, disse Anáide após ouvir todas as pessoas que quiseram se pronunciar.

 

Homem chora muito e passa mal, tendo sido retirado da reunião

“O secretário assumiu em 90 dias, tem um projeto novo e está colocando em prática em toda a rede. E essa renovação trata-se de um processo natural. São mudanças que estão acontecendo com o objetivo de proporcionar melhorias”, complementa Geiso Valença.

“Samarone não demitiu, não afastou nossa diretora. Ele nos arrancou sem ao menos comunicar. Foi uma maneira muito brusca, uma forma aprupta de administrar. Chamar a gestora para uma reunião e informar que ela estava exonerada. Foi uma grande falta de respeito primeiro para com uma pessoa que estava fazendo um trabalho excelente, depois com o usuário, com os servidores e com o Conselho local de Saúde. É necessário que Samarone entenda uma coisa neste momento: ele está secretário, não é o dono da secretaria”, entende o conselheiro Gilson Florêncio.

Por Aldaci de Souza

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