Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Editorial - por Miguel Viana
Publicada em 14/11/14 as 11:07h - 298 visualizações
EDITORIAL
QUE NINGUÉM TRANSVARIE: REPENSAR O PAPEL DA FAMÍLIA E DA INFÂNCIA É ESCANDALOSAMENTE UM TEMA NECESSÁRIO QUE A SOCIEDADE, ORGANIZADA OU NÃO, TORNOU ACESSÓRIO OU ODORIQUIANAMENTE EMBROMATÓRIO.

Rádio Mar Azul FM 104,9


 (Foto: Rádio Mar Azul FM 104,9)

Quando Erasmo de Roterdam escreveu o insuperável "Elogio da Loucura" deixou, entre imensuráveis pérolas (embora elas sejam frutos de ostras adoecidas e poucos atentam para isso), a seguinte: Duas coisas, sobretudo, impedem que a humanidade saiba ao certo o que de fato e verdadeiramente deve fazer: uma é a vergonha, que cega a inteligência e arrefece a coragem; a outra, é o medo que, indicando o perigo, obriga a preferir a inércia, ou a embromação retórica de oportunismo, à ação. Nada se aplica tanto a uma discussão (!) tão extensa e enorme quanto à questão do redirecionamento do papel da família e da infância e da adolescência no país e nas suas aldeias, precárias ou não, a partir do Estatuto da Adolescência e de um catatau de projetos que transitam no Congresso a fazer a festa da irrazoabilidade ou da cegueira raybanicamente bem paga de iniciativas fascistas pós-modernas com colagem jairbolsonarianas e de delírios críticos assituados de uma análise minimamente real dos fatores estruturais, conjunturais e antroposociológicos do que o dia-a-dia com sua desvergonha apanhada mostra.

       Há os que, sem muito pensar ao sabor do sectarismo empírico, querem que a família mesmo depois das revoluções nas relações de trabalho, no item liberdade, no campo do papel socioeconômico da mulher, entre outras, mesmo diante de uma globalização de sentidos e informações quase incapazes do controle completo, entendem e vociferam que a família deve retomar o seu papel "tradicional", com todos os vieses, inclusive, de ação física direta sobre seus descendentes. Só não mostram com razoabilidade e exequibilidade como fazer realmente isso! São os pregadores de um conservadorismo que dialoga pessimamente até a cegueira pós-saromaguiana. A maioria aplaude, como salvação das salvações, a diminuição da idade penal e vota em gente que a defende, não importa a sua qualificação ética ou aporte de postura pública. Vide o próprio caso de Sergipe!

        Há, por outro lado, os que continuam com a cantilena sócioamaciente do jeans surrado que não cabe mais num mundo obeso em que existe falta de alternativas políticas capazes de fazer a lipoaspiração, sem matar as gorduras essenciais à persistência da vida democrática, no estágio do regime planetário vigente e que nos países como o nosso, via depreciação e descaso social, coloca a maioria das famílias, portanto também das crianças e dos jovens, em situação dramática na qual a sociedade dos privilégios as insulta oferecendo o que nega, onde a propaganda ofende ofertando o que a economia proíbe e a polícia vara de medo o que a política sociopática atinge por omissão. Esquecidos até que há oito anos têm ( via a presença do seus agente públicos preferidos) o controle governamental, embora não tenham o político, pleno do poder e de se perguntarem se houve nesse período de fato, além de programas de inclusão sóciofinanceira suavizadora (será que bastam por si tão somente???!!!??), políticas e ações inovadoras e capazes reais de avanço para a garantia de que esses grupos sociais darão saltos de vida ( e não precisam ser quânticos!) capazes de tornar a nação mais pacífica e igualitária? Ou será que a violência que nos cerca a todos, os prisioneiros da opulência e os prisioneiros do desamparo, se efetiva por agregação também de outros fatores? Quais?

           Portanto, o assunto exige não apenas dos governantes, mas de cada setor da sociedade, uma discussão mais profunda, mais aberta, menos açodada e entorpecida por vícios ideológicos rasteiros, capazes de gerar saídas efetivas para políticas de estado e ações transformadoras num país em que a violência não é flor daninha do lodo, mas graceja nos jardins do inesperado, onde a justiça social está entregue nos braços das taras da política penal!   




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